sábado, 21 de março de 2009

Biografia - Parte 1 Origens

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Biografia do Padre Zezinho

José, Zé, Zequinha, Zezinho: Nome bem brasileiro, de menino nascido no coração do país. José Fernandes de Oliveira, o Padre Zezinho, nasceu em Machado, Minas Gerais, a 8 de junho de 1941. Família grande – é o caçula de seis irmãos - , simples e sábia, que lhe transmitiu os rudimentos da fé, o respeito pelo trabalho e o gosto pela música: Fernando o pai, media terras, transportava gado e dedilhava a viola. Foi na lida com o gado que Fernando lesou a coluna e ficou paralítico.Anos mais tarde, sua mãe, Dona Valdevina, perderia as pernas devido à diabetes. Zezinho ainda não havia completado dois anos quando seu mundo se transformou: a doença do provedor arremessou a família a uma fase de grandes dificuldades. O pouco que possuíam foi vendido para saldar dividas. A solução foi mudarem para Taubaté, no interior de São Paulo, onde havia uma fábrica na qual os três filhos mais velhos poderiam trabalhar.


Foi assim, com o fruto do trabalho dos rapazes, o auxilio da comunidade, sacrifício e coragem, que a família se manteve. O dinheiro era pouco, e a doença de Fernando dispendiosa. No começo do mês, comprava-se uma quantidade grande de alimentos que depois era rigorosamente dividida em trinta partes, uma para cada dia. As vezes, a quota diária era insuficiente para aplacar a fome de todos, mas a caridade de amigos e vizinhos providenciava o sustento das crianças.
As provações em nada afetaram a harmonia do lar dos Oliveira, onde, acima das dificuldades diárias, reinava um ambiente de amor e respeito mútuos.

"Minha casa tinha um ambiente bonito de vida.
Meus pais não tinham cultura, mas tinham muita sabedoria"
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Um exemplo foi o casamento de Maria, a filha mais velha, com um protestante: longe de impedi-la a família, a conselho dos padres, aceitou com respeito e naturalidade. Vêm daí as raízes do ecumenismo hoje ferrenhamente defendida por padre Zezinho. Ele cresceu vendo padres e pastores almoçando e orando juntos.


Em todos esses momentos de dificuldades, os padres do Sagrado Coração de Jesus (SCJ) estiveram presentes, não apenas confortando espiritualmente, mas agindo para minorar o sofrimento físico – a fome, a doença, o desconforto – que atingia a família. É importante, por isso, abrir aqui um parêntese para que se conheça melhor essa congregação, à qual Padre Zezinho pertence e cujos princípios estão presentes em sua atuação diária. Fundada no século passado pelo padre educador e sociólogo francês, Leon Dehon, a congregação do Sagrado Coração de Jesus caracteriza-se por assumir uma atitude participativa diante dos problemas e tensões da sociedade.
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A fase de pobreza extrema perdurou por cerca de seis anos. Aos poucos, com esforço, a família equilibrou-se. Tempos muito duros, sem dúvida, mas que deixaram – e essa é a grande virtude dos tempos duros – lições fundamentais: por um lado, ensinaram ao pequeno Zezinho o que é realmente a fome, aguçando-lhe a sensibilidade para um dos maiores dramas enfrentados pela população brasileira: por outro, mostraram-lhe o significado da solidariedade e da caridade, e definiram-lhe o caminho futuro.
Afinal, foi o desvelo com que os padre Dehonianos assistiam sua família. Que despertou nele o desejo de abraçar a vida religiosa. “Quero fazer isto”, decidiu.
Uma vocação de primeira hora.
Uma certeza nunca abalada.
Um chamado.

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"Minha mãe me pediu para fazer a música Utopia, dedicada ao Fernando meu pai.
Ela ainda teve tempo de ouvir esta canção antes de morrer."
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Pais paraplégicos

"Um tributo ao meu pai que morreu quando eu tinha 12 anos, e que eu assisti a morte dele e foi serena...depois de 10 anos de paralisia, foi como quem dorme em Deus; ele sabia que ia morrer naquele dia, avisou de manhã, às seis da manhã; 24 de fevereiro de 1952; eu era uma criança, mas naquele dia em diante, eu nunca mais tive medo da morte, porque eu vi morte bonita, e depois assisti muitas mortes santas; e a lição do meu pai foi isso: ele era maior do que o problema dele, ele era paralítico só no corpo, na alma não, depois assisti muitos sofrimentos, e sempre vi que as pessoas que sofrem são maiores por dentro do que por fora, são como a semente; e das lições que a vida me ensinou, a maior delas ou as maiores lições aprendi, foram nos hospitais, nas creches, nos asilos onde se sofre a dor da solidão, a dor do abandono e às vezes onde se sofre a dor da injustiça e da calúnia... e toda essa gente é muito bonita por dentro quando perdoa... e quando minha mãe morreu, eu não pude estar presente, e ela não quis que eu estivesse presente, porque não quis que me chamassem, porque me tinha dado para a Igreja...
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Eu tenho uma lembrança muito boa dos meus pais; não eram os mais santos do mundo, mas eram suficientemente santos, para querer continuar essa vida de servir os outros; e quando eu passo por uma dificuldade, ou alguém não me compreende, ou eu erro mesmo e alguém não me perdoa, ou alguma coisa errada me acontece, ou alguém tenta destruir meu trabalho, eu lembro do meu pai paralítico; ele era inteiro, nada o destruiu, e lembro de minha mãe paralítica também, que amputou as duas pernas... eles nunca perderam o sorriso, então descobri que ter problemas na vida não é ter vida infeliz, e eu canto isso pelo mundo a fora... Não porque eu sou santo, mas porque Deus pôs ao meu redor muita gente boa; se dependesse de mim eu não pregaria nada, eu não tenho santidade suficiente pra salvar o meu povo, mas tem muita gente santa que me ensinou. Então, se vocês gostam das minhas canções, se gostam do que eu digo, o mérito não está aqui dentro de mim, está nas pessoas que me cercam, e descobri de repente, um dia na minha vida que eu sou resultado de gente que rezou por mim, que acreditou em mim e continua acreditando, sou responsável apenas por meus erros e meus pecados, as virtudes já vieram de longe; e se algum bem eu faço, é porque alguém, um bem me fez, se alguma coisa eu dou, é porque alguém me deu... Minha família não é a melhor do mundo; nós temos problemas; mas eu não trocaria por nenhuma outra, é com ela que aprendi a viver; e que Deus lhes dê o amor pelo pai que tem, pela mãe que tem, e que fique lições de gente mais forte do que a morte, mais forte do que a vida... Porque essas pessoas são sementes, maiores por dentro do que por fora... Porque na pequena semente de abacate tem um abacateiro, na pequeníssima semente de laranja tem uma laranjeira, com milhões e milhões e milhões de outras sementes pelos séculos a fora, e é por isso que o homem e a mulher merecem crédito... Porque todos nós quando temos um sonho, se temos um projeto de vida, somos maiores do que imaginamos; ninguém de vocês é pequeno, se você tem um amor e um sonho, são maiores do que imaginam. Que Deus os façam sementes, mas deixem se plantar, se preciso deixem se enterrar...nunca vai ser inútil; e se tiver que apanhar, apanhe, ofereça a outra face...pois um dia, a ternura vai vencer, tão certo como Deus é Deus."


Minhas três mães

"Se tenho mãe? Tenho várias! A da terra, que já está no céu e chamava-se Dona Valdivina Messias, foi lavradora e costureira e morou em machado e Taubaté Tenho a do céu, que se chamava Maria, cuidava do lar e era de Nazaré da Galiléia e foi a mãe do Messias. E tenho a Igreja que ainda está na terra e a caminho do céu. Quando falo em mãe, penso nas três, das quais Maria, evidentemente, é a mais santa. Não nasci do ventre de Maria, mas gosto de seu profundo colo espiritual. Nasci no ventre de Valdivina e cresci no colo da Igreja Católica.

Tenho enorme carinho por essas três mães. Das três, só Maria não pecou. Minha mãe da terra era maravilhosa, mas tinha seus pequenos defeitos que não atrapalhavam em nada o seu amor por nós e nosso amor por ela. Nunca achamos que ela era a única mãe maravilhosa do bairro. Havia outras boas mães, que também amavam muito a seus filhos e os educavam muito bem.

Se eu trocaria de mãe? Não! Achava minha mãe maravilhosa, tinha muito orgulho dela e sabia dos seus valores que, de resto, toda a vizinhança elogiava e até hoje elogia. Tive mãe santa na terra e tenho mãe santa no céu. A mãe de Jesus, que era toda pura e esteve muito mais mergulhada no mistério do Cristo era melhor do que a minha mãe da terra. Minha mãe da terra sabia disso e falava com ela o tempo todo naquele terço já gasto de tanto que as duas conversavam."
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3 comentários:

  1. Padre, minha adolescência e parte da juventude foram abençoadas com encontros da Juventude onde o senhor sempre esteve presente. Saudade muita saudade.

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  2. meu pai e minha familia toda (até evangelicos) são fanaticos pelo padre Zezinho.Todos gostam muito das musicas dele, pois meu pai sempre diz que as musicas dele renova a alma e mostra a realidade de muita gente!!!!!!!!!!

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  3. Deus enviou seu santo Espírito ungindo esse Sacerdote dando a ele esse lindo dom da pregação com tanto amor e caridade. Realmente uma presença de Deus entre nós.Obrigado Senhor Deus por nos dá Santos Sacerdotes.

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